Memória

SaudadesNão preciso de recuar muito no tempo para chegar ao dia que me marcará para sempre. Lembro-me como se fosse hoje, pensei que seria um dia normal de aulas até certa notícia ter sido dada. Tinha 14 anos quando senti pela primeira vez a dor de uma perda, de um vazio avassalador.

A notícia foi dada. Senti um grande nó na garganta a crescer, um enorme aperto no peito e uma vontade imensa de gritar bem alto, do fundo dos pulmões, para que a angústia desaparecesse. Mas dei por mim a chorar sem conseguir parar, a soluçar, sem hipótese de pronunciar uma única palavra. Lembro-me de vê-lo deitado e de a sua pele fresca e gelada ficar turva ao mesmo tempo que os meus olhos se enchiam de lágrimas.  Chorava em vão na esperança de que ele voltasse, enquanto a chuva caía sobre mim e parecia magoar-me. No fundo, o que me magoava era a dor que apertava o meu coração… Tinha perdido uma pessoa muito importante.

Agora, o meu choro tornou-se numa música triste vinda da alma, o meu soluçar faz de ritmo e a autora da letra é a saudade que teima em torturar-me dia após dia. Ainda haverá dias em que segurar o nó na garganta será em vão e as lágrimas irão cair com pressa de tocar o chão. Guardo para mim aquele sorriso que nunca foi encarado como o último e, apesar de me sufocar lentamente, esta dura realidade não me impedirá de continuar a acreditar que um dia voltarei a encontrá-lo e abraçá-lo-ei como nunca.

Luísa Almada Robison

10º46

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