Diferentes perspetivas do ‘olhar’

O sentido da visão é essencial no nosso dia-a-dia, porém é necessário não apenas ver mas também olhar, de modo a que possamos observar e criticar o mundo, a sociedade e até nós próprios.

Por vezes, deparamo-nos com situações inesperadas na vida que poderiam ser evitadas, se observássemos melhor o mundo que nos rodeia. Talvez se os políticos prestassem mais atenção ao povo, a quem deveriam servir, se dessem menos importância ao peso dos seus bolsos, o mundo não estivesse mergulhado numa crise económica tão profunda e não haveria tanta desigualdade social e monetária. Os nossos governantes necessitam de olhar para as suas ações e observar os danos que causaram, pois são resultado da sua falta de autocrítica.

A visão é necessária para a nossa sobrevivência, embora a natureza tenha encontrado alternativas a este sentido e existam casos de sucesso em indivíduos que perderam ou não chegaram a ter este sentido. Existe um caso caricato nos Estados Unidos. Ao longo de dez anos, um homem foi gradualmente perdendo a sua visão, até a perder completamente. Miraculosamente e de uma perspetiva diferente, este homem vê melhor o ambiente que o rodeia do que qualquer pessoa. Este indivíduo desenvolveu uma capacidade extraordinária semelhante à ecolocalização: consegue desviar-se de obstáculos naturalmente, como carros em movimento, tem a capacidade de distinguir materiais sem o uso do tacto. Vê o mundo como ninguém o viu, tendo noção de tudo o que se passa à sua volta, olhando sem ver.

A humanidade deve esta falta de observação ao ritmo da sociedade que, devido aos avanços tecnológicos, tem vindo a acelerar-se, fazendo perder oportunidades únicas. Talvez seja por este facto que a humanidade é chamada pelos ingleses “the human race”, a corrida humana, pois vivemos constantemente apressados, sem perceber que perdemos o que de melhor há na vida: a vida em si.

Miguel Alexandre Andrade

11º17

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O senso comum e a observação metódica

O olhar é uma das características fundamentais da existência do ser humano, que lhe permite vencer no mundo e torná-lo um lugar cada vez mais desenvolvido e poderoso.

Efetivamente, na sociedade em que vivemos, o olhar é muito importante para a nossa relação com o mundo. Exemplificando: o senso comum é uma das formas mais elementares de conhecermos a realidade. Através do senso comum, é possível percecionar o que está à nossa volta e criar várias representações do mundo. Este olhar acrítico, construído a partir da transmissão social, informações sensoriais e da experiência acumulada, é essencial para a vida quotidiana, pois permite resolver os problemas práticos do dia-a-dia e também serva para orientarmos a nossa vida. O facto de possuirmos um olhar tão subjetivo e prático leva-nos a sonhar cada vez mais alto, quando olhamos para o infinito céu e alargar os nossos horizontes, contribuindo para alcançar os nossos objetivos.

Por outro lado, o olhar pode tomar uma aceção mais objetiva, sistematizada e metódica. Por exemplo, o conhecimento científico, que se baseia no olhar metódico, vai além do senso comum para explicar a realidade. O conhecimento científico permite explicar os fenómenos naturais e sociais que ocorrem no mundo. Um cientista primeiro observa, formula uma hipótese e, só depois da experimentação, chega a uma conclusão geral. De facto, um cientista pode favorecer o desenvolvimento de uma sociedade, na medida em que pode criar um determinado objeto, como uma vacina, que permita curar uma doença.

Concluindo, o olhar é uma ferramenta de extrema importância para o desenvolvimento do ser humano, visto que os nossos olhos definem o nosso caminho neste enigmático mundo.

Ana Sara Gonçalves

11º 06

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O verdadeiro olhar

O olhar é um instrumento fundamental na observação do ser humano. Através do olhar, as pessoas têm a capacidade de se apaixonar, de criar sensações, sejam elas do seu agrado ou não. Tal como o velho dito diz: “Um olhar vale mais do que mil palavras.”

A observação constitui um verdadeiro objeto de comunicação. Ao longo de toda a História e de acordo com todos os contos tradicionais que nos são lidos quando somos crianças, o amor à primeira vista baseia-se numa simples troca de olhares. Tudo começa com a observação de um comportamento que desencadeia no ser humano um turbilhão de emoções: o carinho, a paixão, o próprio amor. A título de exemplo, consideremos a obra Os Maias, na qual Eça de Queirós retrata de forma belíssima a primeira troca de olhares entre Carlos da Maia e Maria Eduarda. Esse primeiro olhar despertou em ambos um amor avassalador, que levou Carlos a procurar Maria em todos os locais por onde passava.

Com a visualização, nós, seres humanos, criamos várias perceções daquilo que nos rodeia, o que de certa foram irá transformar a nossa perspetiva do mundo, criar a nossa identidade ou condicionar a visão do artista. A personalidade é formada por tudo aquilo que os sentidos captam, tudo isso irá influenciar quem somos como pessoas. Por exemplo, na poesia de Cesário Verde, recentemente estudada, o sujeito poético é um “repórter do quotidiano”, pois a partir da análise de tudo aquilo que o rodeia chega à conclusão que a cidade é um sítio negativo e pouco saudável. Para o “eu” lírico, foi necessária a observação para  descobrir o que lhe desagradava, o limitava e o aprisionava.

É necessário, então, a observação e utilização do olhar no nosso dia-a-dia, pois só através do uso de diferentes instrumentos conseguimos adquirir o verdadeiro conhecimento sobre nós mesmos. As sensações experimentadas por uma visão agradável não serão certamente esquecidas, mantendo-se sempre presentes.

Isabel Margarida Mendonça

11º32

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