Um retrato da solidão

Em plena rua da Alegria, existe uma casa que parece abandonada, construída em pedra, com a tinta branca já desgastada pelo tempo. Nos beirais da telha já partida encontram-se fixos pombos. As portas e janelas em madeira, pintadas de verde, e um pequeno quintal calcetado, apenas com uma malva cor-de-rosa num canteiro, fazem antever uma habitação votada ao abandono.

A casa parecia desabitada, mas lá morava a senhora Olívia. Uma senhora já com uns 80 anos, com os seus cabelos brancos, pelo pescoço, e uns brincos dourados, os olhos azuis-claros, como o mar num dia de céu limpo.

Vive só, na casa sem luz, sem água, sem o contacto com o mundo que a rodeia. O pequeno candeeiro de petróleo é o que ilumina a casa, e a água vai buscá-la à fonte.

A solidão ocupa grande parte da sua vida, tem uma irmã que a ajuda e trata da sua alimentação. Vaguei-a pelas ruas, vai cantando para afastar a tristeza e relembrar os tempos de infância.

Como este existem inúmeros casos, retratos de uma sociedade envelhecida, isolada.

As famílias, quando as têm, estão longe, alheias a estes problemas, talvez pela falta de tempo ou pela distância. Quem sabe?

Pessoas com histórias de vida para partilhar, sentir o que é ter alguém que as ame ou, ao menos, que as oiça, que perceba o valor que a amizade tem na vida.

Sandrina Jerónimo, 11º47

Ano letivo 2013-2014

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