Palestina, 26 de novembro de 2014

Querido diário,

Hoje choveu. Mas não foi uma chuva cuja água alegra o solo. Foi uma chuva de bombas, explosivos que deflagram e matam. Às vezes, pensamos que as coisas más só acontecem aos outros. Como estamos errados! Por que motivo digo isto? Porque uma dessas bombas veio cair na minha casa e tudo de tornou cinza e escombros. Ouviam-se pessoas gritando, pessoas implorando aos céus a proteção. E eu? Eu gritei. Pedi aos deuses que retornassem trinta segundos atrás, ao momento em que vi a minha mãe morrer, soterrada por paredes, agora manchadas de sangue, enquanto a minha alma se enchia de mágoa e desespero. Porém, querido diário, algo me resta; consegui salvar os meus melhores amigos, os meus amigos de papel cujo manto são as palavras que neste momento, em vão, me tentam reconfortar. Salvei-te a ti! Agora, enquanto o negro da noite abafa esta bombardeada cidade, deparo-me com um cenário desesperante, onde tudo é preto, branco e cinza, com pequenos rios de vermelho. É uma cena de filme cuja banda sonora são os lamentos das gentes que perderam tudo. Gentes para quem, tal como eu, nada resta. Bem, eu tenho-vos a vós. E, amanhã, será um dia que não será dia. E eu sem vida, sem Mãe!

Miguel Nóbrega (10º44)

Docente: Rosário Gouveia

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